sábado, 7 de abril de 2012

E ele não me ouviu dizer "Fica"

A algum tempo atrás postei um o artigo "Adestramento pessoal" comentando sobre o quanto estava aprendendo com meu cão de estimação Akon. De lá para cá ele evoluiu muito, aprendeu novos truques, um amigão. Mas a vida nos pega surpresas, e por mais que estejamos preparados, não é fácil aceitar a perda.

Foto do Akon com 9 meses (Agosto-2012)

Aos 10 meses aproximadamente ele foi diagnósticado com IPE (Insuficiência Pancreática Exócrina) e passou a receber um comprimido de pancreatina suína junto com as refeições para poder fazer a digestão corretamente. Ele estava levando uma vida normal, e embora tivesse perdido muito peso, começou a recuperar após o inicio do tratamento com o medicamento. Um cão alegre, companheiro, adorava brincar com a garrafa PET de 2 litros amassada. Era eu chegar em casa e ele já ia pegar o brinquedo preferido para treinarmos os truques que lhe ensinava.


Vídeo do Akon brincando com garrafa PET

O Akon iria completar 1 ano e 5 meses no dia 10 de Abril mas no ultimo dia 1º ele passou mal a tarde. Era domingo, não consegui falar com o veterinário dele, e até conseguir contato com uma clinica veterinária perdi muito tempo e ele piorou. Andava gemendo de um lado para o lado do quintal, procurando uma posição mais confortável para dor que sentia. Quando consegui falar com o veterinário ele já estava com dificuldade para sair do lugar.

Ao chegar na clínica, ele foi direto para o soro, estava muito desidratado, e as complicações do pâncreas foram agravadas. Quando senti que ele estava com dificuldades para respirar, eu já estava com as lágrimas escorrendo nos olhos pedindo para ele: "Fica amigão, não me deixa não". Mas nessa altura ele já não conseguia mais respirar, e mesmo após várias tentativas de reanimá-lo, não reagiu mais. Essa foi a única vez em que fiquei triste por ele não ouvir um pedido meu.

As mãos do doutor tremiam e vi a tristeza em seu olhar, como se o cão fosse dele. Minha esposa entrou na sala, e choramos ao lado do nosso amigo por alguns minutos. Retirei a coleira, pois precisava sentir seu cheiro por mais um tempo. Fizemos o possível para salvá-lo, mas acho que Deus queria poupá-lo do sofrimento, pois ele vivia com fome mesmo comendo bastante. Alguns veterinários comentaram que ele até que viveu bastante, muitos cães não suportam quando a doença se manifesta de forma tão intensa e precoce como no caso dele.

Tinha que escrever este artigo para desabafar a falta que ele faz, parece mentira até agora. Quando saio de casa lembro dos momentos em que ele abraçava minhas pernas para que não o deixasse sozinho. Dos momentos em que ele nos acompanhava pelas janelas de casa do lado de fora. Acredito que ele foi para o céu fazer companhia para os outros cães que eu e meus irmãos já tivemos quando criança (o Rossi e o Rock), e deve estar pulando em todo mundo por lá, já que no céu não deve ter garrafa PET para morder =).

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